sábado, 11 de fevereiro de 2012

Perdas

Por que ao perder

nos damos conta

daquilo que tínhamos?

De tudo que ainda

podíamos continuar,

tendo em nossas mãos,

ainda que por vezes tão fugidias

que nos parecesse tão distante,

mas que não se apartava

de nossos seres,

de nossa alma,

de nossas histórias.

O tempo que passa,

(Ah! O tempo...)

este que nos ensina

a esperar,

a refletir

se ainda é tempo

de correr,

segurar

aquilo que talvez

por mais estranho que pareça,

por mais que doa,

por mais que dilacere

a alma e o coração,

ainda não perdemos.

O que fazer para isso?

como não perder

aquilo que nos é importante?

Tantas questões

de difíceis respostas

que povoam nossa mente

e nos fazem perder mais,

mas desta vez,

perder o sono,

pensando

no que se passou.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Dor

Dia passa,

dor fica...

Dor ora fraca,

hoje forte,

insiste em ficar

na alma ferida;

uma dor pungida

que não tem hora de passar.

Dor é como amor...

só na rima!

sem graça de doer,

fazer sofrer,

fazer chorar

lágrimas secas,

em olhos secos,

na secura de cada dia,

do fundo da alma.

Dor passa com o tempo...

não dos ponteiros

do relógio,

que insistem em rodar,

em paredes solitárias

ou nos pulsos de alguém,

mas com o tempo que ensina,

que faz pensar,

refletir para descobrir

o porquê da dor,

como afugentá-la,

como fazer desdoer

pra nunca mais senti-la,

como fazer da rima

dor-amor,

sair a dor

para ficar apenas,

ainda que solitário,

o amor.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Da alma

Quando se arranca a alma

de um coração,

a dor que a consome

serve somente

para fazer doer

o resto da alma

que ainda não foi arrancada.

A alma sangra...

a dor consome.

A alma triste...

em dores se consome!

A alma cala...

vazia e triste.

Mágoas e dores

consumindo o brilho

da alma imortal

que não sabe

o que lhe reserva o porvir.

A alma,

que se apartou do coração,

incompleta...

sofre,

sangra,

dói

e caminha cabisbaixa,

sem rumo,

sem desejo,

sem ALMA,

pois esta,

ficou pra trás

nos passos

que se fizeram arrastar.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Baixela Quebrada

Embora não seja de minha autoria, este conto é muito bom para refletirmos sobre seus ensinamentos. Boa leitura!



Um veneziano, mercador poderoso, fez presente a um príncipe, rei das Espanhas: deu-lhe, com outras cousas, uma baixela de vidro cristalino, dourado, de muitas e mui ricas peças, tão sutilmente lavradas, com tanta curiosidade e de tal feitio, que se não podia mais desejar.

Vista pelo príncipe, a estimar em muito, e, agradecendo-lha e pagando-lha bem, fez que o servissem com ela nos dias de maior festa, menosprezando então outras baixelas de prata dourada e ricas peças de ouro, formosas e de grande preço.

Assim, aconteceu que, tendo o príncipe uma suntuosa ceia com uns embaixadores de outros reinos, servindo-se com esta copa ou baixela, como costumava em tais tempos por maior grandeza, caiu um prato a um pajem que o levava, do que o príncipe tomou muito pesar e nojo. Porém no mesmo instante disse:

__ Não porque o nojo dure, porque isso é e como tal há-se de quebrar peça por peça, porém por poupar o nojo que pode vir quando se quebrar outra: agora, com esta consideração, mando que se quebre toda !

E assim se fez, que se quebrou a baixela por poupar os nojos que daria adiante, quebrando-se por muitas vezes. E ele ficou fora de paixão, para concluir com gosto o banquete em que estava.

Assim nós, pois, entenderemos que a fazenda, filhos, privanças e honras da terra, não há-de durar para sempre e são quebradiças como vidro. Quando se acabar qualquer cousa destas, façamos conta que são perecedoras e que por derradeiras hão-de ter fim. Não tomemos por cada uma mais nojo do que é razão; mas, conformes com Deus, por tudo lhe demos graças: porque ele, vendo nossa paciência nas adversidades, e que sabemos fazer bom rosto aos nojos e perdas que nos vêm nos dará graça com que aqui soframos nossos trabalhos, em penitência de nossos pecados; e por ela e por sua misericórdia nos dará a Glória.

(Conto de Trancoso – Portugal)







domingo, 4 de dezembro de 2011

Frô Cheirosa

Airô

É frô cherosa!

É frô cherosa

que não brota em quarqué canto não!

Airô é frô cherosa,

que brota em quarqué canto de coração.

Airô,

é frô daquelas mais cherosa e feiosa

que vem do sertão.

Vem do sertão

Pra mó di incantá

aqueles que escuta sua voz

Sente seu cheiro...

Que ganha seu cheiro...

Pra mó de nunca esquecê de assuntá:

Pur onde Airô passa?

Pur onde ela vai passá?

E pur onde essa frô do sertão,

Frô maviosa!

vai brotá,

embelezá

i perfumá...

praqueles que sabe senti

o aroma,

o cheiro,

a feiosidade bonita,

dessa frô

que é Airô.

(Poema feito para minha grande amiga Airô Barros!)


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Retirantes


Retiraste-te

retirante

de teu retiro,

de teu ser,

de teu ver,

de teu viver...

da terra seca,

teceste teu caminho...

tocando teu corpo

esquálido de pó

tentando retirar

de ti a pobreza,

a dor e a seca

que insistem

em tirar-te

de teu ser.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Segunda Carta ao Filho

Filho!

Nunca imaginei que seria mais difícil ainda vê-lo crescer! E crescer tão rapidamente como vejo que o faz. Algumas coisas ainda precisam ser ponderadas, calculadas com calma para que não haja arrependimentos no futuro, para que não modifiquem demais os planos que ora traçou, embora algumas mudanças sempre aconteçam ao longo do caminho.

Algumas vezes a mão pesada de pai precisa falar mais alto, pois ser pai implica, em muitas vezes, dizer não enquanto outros dizem sim, te empolgam e levam-no a pensar-se invencível. A experiência me ensinou que muitas vezes, quando a botina aperta, alguns desses mesmos amigos não estarão ao seu lado para ajudá-lo a resolver a situação, sair do buraco ou do atoleiro de lama.

Se brigas fazem parte da relação pai e filho por que doem tanto quando ocorrem? Se te dói ouvir, me dói falar, brigar e repreendê-lo quando na verdade somente o amor deveria permear tão maravilhosa relação.

Se sou perfeito? Nunca! Estou em constante aprendizado e por isso mesmo me coloco como imperfeito aprendiz. Você talvez não me enxergue dessa forma, pois o amor faz isso com as pessoas, não nos deixa enxergar os erros que aqueles que amamos possuem. Não é diferente comigo! Também não enxergo seus erros pois para mim eles não existem. É perfeito no meu amor, no tanto que te amo e no tanto que se faz importante em minha vida. Importância tão grande que algumas vezes me faz querer protegê-lo da primeira gota de chuva e de tudo que possa atingi-lo, ainda que eu saiba que precisa passar por isso para aprender e que só ao se molhar, aprenderá a se enxugar. Ainda assim, por mais que eu saiba disso, não pense que será fácil vê-lo cair, ainda que eu esteja ao seu lado para ajudá-lo a se levantar.

A vida que se descortina à sua frente é diferente daquela que um dia se descortinou para mim, as mudanças do mundo serviram para torná-lo mais dinâmico, mas também mais perigoso o que faz com que as preocupações de um pai que ama seu filho cresçam também, até porque quem ama cuida!

Quero que viva plenamente, curta sua fase mas sempre com a responsabilidade, com os valores e a educação que um dia pude plantar em seu ser. Nunca se esqueça de quem você é, ainda que muitos queiram dobrá-lo para ser da forma como eles gostariam que você fosse. Pessoas entrarão e sairão de sua vida e ao fazerem isso, deixarão lembranças, saudades e dores que somente serão amainadas com o amor verdadeiro que por mais que brigue, canse de falar, reclame, nunca te deixará caído pois por amá-lo, meu filho, ao te ver caindo, sentir-se-á caindo também. Ao vê-lo vencendo, sentir-se-á vencedor também e ao vê-lo seguindo em frente quererá acompanhá-lo ainda que o bater de asas de um filho seja mais vigoroso do que aquelas asas que há muito voam por aí.

Talvez esse seja o papel do pai, ser pai, amar seu filho ainda que as turbulências surjam e as águas calmas tornem-se revoltosas pois, após tudo isso, a calmaria volta, deixando cristalina as águas por onde os ventos passaram. Somente o amor verdadeiro trará de volta a calmaria para as cristalinas águas da relação pai e filho que se amam de verdade e que, mesmo nesses momentos, não deixam que o verdadeiro sentimento se abale.

Siga em frente meu filho, sei que carrega em você um pouco de mim e que essa fagulha te guiará em muitas situações. Ouça sua intuição, ainda que seu coração queira calá-la muitas vezes. Intuição é uma bússola que nós desaprendemos a usar devido à nossa racionalidade. Busque-a em você para que as dificuldades se minimizem e você possa escapar de algumas armadilhas do tempo e da vida!

Com amor,

Seu pai