quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Alma de um Poeta (ao Thiago)

A alma de um poeta

é multifacetada,

colorida de dores,

amores, sorrisos

e suspiros.

A alma de um poeta

chora lágrimas

silenciosas

que insistem em fazer

marejar os olhos,

janelas da alma de um poeta.

A alma de um poeta

é sensível

por entender de forma diferente

o mundo ao seu redor.

A alma de um poeta,

ainda que tente esconder,

sofre calada

quando não ouve a voz

das palavras que dela saem

em forma de versos,

tinta ou sons.

A alma de um poeta

é mais do que a alma

de um mortal,

é incompleta quando sofre,

é completa quando ama,

é plena quando voa

nas asas da vida

que com olhos,

oriundos do recôndito de sua alma,

enxerga a vida

e o mundo,

como só

a alma de um poeta

pode enxergar.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Tempo

Ah, o tempo!

Quem entende

este mestre

que ora velho,

ora novo

nos faz pensar

e aprender

nas engrenagens de suas voltas,

a vida a ser vivida,

amada e sentida?

Ah, o tempo...

tempo que vai,

tempo que empurra,

que faz cair as areias da ampulheta

a nos levar em frente,

sempre em frente,

ainda que queiramos

voltar atrás.

Nestas horas,

o mestre tempo

impiedosamente

faz escorrer suas areias

por entre os dedos

de quem insiste em segurar o tempo,

Ah, o tempo...

Ainda Fernando Pessoa...

... A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena... 

Drummond, um poeta!


Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro. 
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 
Entre eles, considero a enorme realidade. 
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, 
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. 
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente.

Erros (sobre acertos e perdões)

Erramos!

O amor nos fez errar

por nos cegar para

verdades não ditas

verdades criadas,

por imagens criadas

pelo amor incondicional.

Erramos

por sermos apenas...

humanos.

Humanos que

na tentativa cega

de acertar,

de querer sempre perto

o amor,

o pedaço de sua alma,

não percebem as dores

que infligem na própria alma

e na alma de quem amamos.

Do erro, antes do aprendizado,

ainda obscurecido pelo orgulho,

surgem as lágrimas,

ciscos insistentes

que rolam nas faces,

lavando mágoas, dores

como um bálsamo

sobre faces sofridas,

das dores sentidas,

lavando a alma

dos que amam,

purificando e

renovando o amor verdadeiro.

E das lágrimas, surgem

os abraços,

os beijos sinceros,

os aprenderes que a vida

nos impõe,

sem esperar o tempo

que insiste em correr,

sem dar tempo

de pensarmos ou sentirmos,

fazendo com que nos escondamos,

sofrendo no fundo da alma,

as dores de uma separação

que só existia no orgulho,

nos erros,

na busca de acertar,

na vontade de proteger

e com tudo isso

continuar a amar.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Solidão me acompanha

Não caminho sozinho!

A solidão me acompanha.

Com passos leves

insiste em caminhar ao meu lado,

fazendo doer o coração apaixonado

que insiste em buscar

pelos caminhos diversos da vida

uma alma companheira

para juntos,

sob sóis ardentes

ou luares de prata

completarem-se em sua existência.

Enquanto caminho,

ao redor observo

como flores nos arredores,

o amor florescendo entre os seres.

Olho ao lado

para a companheira solidão

perguntando-lhe o porquê

de sua escolha em me acompanhar.

Se responde não posso escutar

pois sua voz é um sussurro,

misto de resposta e riso

a olhar-me com desdém

enquanto caminha a meu lado.

Aparta-te solidão,

deixa-me viver o amor pleno

que habita em meu ser,

o desejo de ter ao lado

alguém que me complete

a alma ferida, sofrida

pelos espinhos do caminho

e pela frieza da solidão,

que busca o repouso

nos braços do amor,

que ora perdido

busco sem cessar

nos caminhos da vida

com a solidão

que insiste em me acompanhar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Carta ao Filho

Porque cresceste?

As lembranças de outros tempos, mais simples, com amor mais fácil, com olhares mais ternos e proximidade maior não bastavam para que tua vida se completasse?

Não... precisaste crescer, como o fizeram todos os adultos de hoje, crianças de ontem, para conhecer o mundo, a vida a ser vivida e os desencontros que ela proporcionaria.

Saudade de embalar-te para que o sono chegasse mais tranquilo, sem sustos ou medos do negrume da noite que insistia em trazer sombras de assombrações para ti.

Sofres por tuas escolhas e isso me faz, junto a ti, sofrer também, por não entender o que sentes, o que ficou em tua alma doída, roída por sentimentos de conflito, impotências perante escolhas e caminhos deixados para trás, mas que insistem em continuar te acompanhando, fazendo doer e machucar ainda mais, passo após passo, como se espinhos te ferissem os pés.

Porque tiveste que crescer quando a vida, em tua tenra idade era mais simples? O tempo, este implacável juiz e mestre não poderia ter parado para ti pelo menos um pouco para que eu tivesse tempo de ensinar-te um pouco mais do que te esperava pela frente? Não. Ele não podia e não o faria ainda que pudesse, pois é o seguir do tempo que hoje embala tua vida, teu sono, teus sentimentos, cobrando-te respostas quando ainda nem sabes o que perguntar. É o tempo que te cobra maturidade que, ainda que insista em ter, te dói na alma, na saudade da meninice, da proteção que tinhas quando um joelho ralado era um grande problema.

Crescer tem seu preço. Dói mas te impulsiona a novos mundos e tempos diferentes daquele que conheceste. Cobra ainda o preço daqueles que te amam, que agora, ao verem-te crescido, sofrem de preocupações, medos de ver-te perdido em caminhos que não aqueles que ousaram traçar para tua vida, como se fossem donos de ti. Entenda que não o fazem por mal, mas sim para aplacar a saudade de suas almas que agora observam teu vôo sem poder bater asas atrás de ti, seguindo o ciclo da vida, do tempo ou ainda carregá-lo no colo ou de cavalinho pois cresceste demais.

Já sentiste em tua alma a dor do medo da perda? Creio que não pois isso só sentirás quando estiveres deste lado, escrevendo para teu filho que cresceu e que te faz sentir o medo da solidão, da perda, do desencontro e de ver-te sofrendo. O amor é engraçado pois faz com que desejemos sofrer por quem amamos, para poupá-lo das dores do sofrimento, ainda que saibamos que cada um, em seu tempo e momento, precisará sofrer, sentir para aprender a viver ainda mais.

Caminhas por aí, solitário, com as dores a te acompanhar, lágrimas de dores sentidas, sofridas pelo coração, sem entender o porquê. Talvez a resposta venha no tempo, o mesmo que insiste em girar e cobrar o crescimento. Talvez não venha e te deixe com a dúvida. Por ora, meu filho, busque a vida e não as respostas para o passado pois és dono de ti mesmo e de tua alma, escolhendo se queres sofrer, fazer doer ou deixar cicatrizar o ferimento aberto que insiste em incomodar-te e fazendo isso, incomoda quem o ama, pela impotência de nada poder fazer, pois crescer, implica em tomar decisões que nem sempre são as mais acertadas, mas que para o momento trarão novos saberes, experiências e rumos para tua vida.

Como o navio, num mar escuro, tem o farol para conduzi-lo ao porto seguro, é o filho que singra mares nunca dantes navegados, mas com a certeza do porto seguro de quem o ama, para ampará-lo e trazê-lo de volta à terra firme do coração conhecido.